05 May 2010

Uma tentativa

Para onde quer que se olhe, reconhece-se. A da televisão, das canções, poemas. A da sensibilidade e propaganda. A cidade. Verde-mato, branco-areia, azul-céu-mar. Rio de Janeiro a cumprir com rigor e superação os clichés que a tornam o que é, referência e imagem principal do Brasil.

Aqui, a boca sempre em espanto e os sentidos alerta. Cada rotação em grau menor traz algo novo e surpreendente em termos de beleza natural. Não falo, por isso, da cidade cimento. Nem dos contrastes luxo e miséria. Estou aqui há meia dúzia de dias, não tenho mínima propriedade para caracterizar o Rio a outros níveis senão o que me surge como percepção imediata. Apenas vejo os sinais - favelas cintilantes a pontilhar os morros, como o do Dois Irmãos, onde acaba o ultra-luxuoso e chato Leblon. E um distanciamento crónico entre os dois mundos que aqui convivem de costas voltadas.

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