19 July 2013

Sacudindo o pó binário

"Assim se passaram meses. Um tempo onírico superior ao real (…). Queria voltar, construir algo num outro contexto. Mas não posso. O meu mundo é feito de tantos e tão longínquos. Como tal, converto esta experiência em algo que me faça crescer. E nada mais (…)"

É o típico "nunca digas nunca". Não acredito que haja quem ainda venha aqui, depois de um silêncio tão longo desde este parágrafo. Mas, retirando um pouco do pó binário deste blog, aqui deixo a minha marca: sim cresci, e embora pensasse que isso me iria afastar desta terra, enganei-me "estateladamente". Querétaro, a cidade das pedras escuras, converteu-se na minha casa. Dois anos de regresso e viagem a outro lado de mim.

09 November 2010

Carta aos meus amigos (excertos)

O tecto do meu quarto era perfurado por três buracos, protegidos por um vidro grosso e rugoso. Três entradas de luz cortadas por pesadas e velhas vigas de madeira escuras. Para mim, sempre foram misteriosas, místicas, quase. Por lá entrava a lua e o sol, para lá fugiam os meus olhos.

Todo o espaço cumpria o ideário mexicano. Velhas paredes altas, meias brancas meias amarelas, comidas pela humidade. Dois arcos – um redondo e outro rectangular – e essa luz. O meu refúgio em Querétaro, a minha cidade bipolar.

Lembro-me em particular de uma noite. Deitado na minha cama, senti o corpo dormente e uma energia a tal ponto forte que tive medo. Não sei de onde vinha, para onde me levava. As minhas mãos suavam enquanto os meus olhos se fixavam nessa luz que incidia sobre a minha cama e o meu corpo. O meu coração latia e mil ideias, imagens, pessoas e lugares surgiram na minha cabeza. Tudo rápido, em simultâneo.

Compreendi então alqo que sentía, mas que ainda não tinha racionalizado – essa imensa energia de uma terra que há muito me chamava, mas que acabou por dar-me muito mais do que algum dia pensei ser possível. México.

Não há vivência sem auto-permissão. Muito menos sem contexto e estímulos exteriores. O que vi naquele lugar, as pessoas que conheci, essa tensão dramática que emana de todos os lados e que me comovia sempre até às lágrimas, sem saber bem porquê, despertaram em mim algo muito forte que me empurrou para um precipício emocional invertido. Vertigem que as escuras pedras de Querétaro tão bem simbolizavam, com a sua profundidade de histórias. Que eu sentia como gritos nas madrugadas em que, sem conseguir dormir, caminhava uma e outra vez pelas velhas ruas vazias.

(…)

Assim se passaram meses. Um tempo onírico superior ao real (…). Queria voltar, construir algo num outro contexto. Mas não posso. O meu mundo é feito de tantos e tão longínquos. Como tal, converto esta experiência em algo que me faça crescer. E nada mais (…)

*carta de despedida aos meus amigos mexicanos.

06 November 2010

México: E tem o resto

E tem o resto, que é quase tudo. Para o qual ainda tento arranjar palavras. Já viajei por muitos lugares, vivi nuns quantos, mas só Angola me faz sentir esta incapacidade em descrever o que a terra, a terra mesmo, me faz sentir. Se em Angola é compreensível, ou não fosse esse também o meu país, no caso do México é um enigma.

Cheguei apenas com a curiosidade. E a vontade forte de ver amigos antigos, para além de outros que entretanto tinha conhecido através de contactos cruzados. O que aconteceu nos meses em seguida escapou-me do controlo.

Comparo este país a um vulcão em repouso – explosivo e intenso, dono de um silêncio comprimido. A energia salta cá para fora em avalancha. Ao percorrê-lo, sempre que olhava para a paisagem, batia de frente com essa carga dramática que o caracteriza. México milenar, sofrido, sangrento. México divertido, alegre, festivo, colorido. Gigante. Tudo junto, num só. Isto emociona. E muito. Uma emoção que vem do nada e termina nos olhos, apanhando-nos de surpresa.

Sente-se, quando se caminha, uma urgência-lentidão. É como um velho sozinho, solitário, que se move lento, pés pesados, mas cuja experiência de vida, de rugas, de sulcos impõe um respeito de tal forma emocionado, que é impossível não o abraçar e ouvir as suas histórias, enquanto se chora e ri. É um grito, uma energia que te eleva.

Com a sensibilidade no ponto máximo, não escrevi, não pensei muito. Entrei a fundo na vivência de um povo magnífico, muito terno e divertido. Comi de tudo e mais alguma coisa - tacos, quesadillas, chiles de muitos nomes (mas que não arde como o nosso jindungo, descobri), mole, pozole, flautas, enchiladas, burritos, camarão de todas as formas e feitios. Conheci a música ranchera, o huapango, os mariachis, a banda. Susana Zabaleta, Chavela Vargas, Lila Downs, José Alfredo Jiménez entraram na minha banda sonora oficial. Alucinei com as pinturas (e a história) de Frida Khalo e os murais de Diego Rivera. Li Monciváis, Octávio Paz, Laura Esquivel, Carlos Fuentes.

Vi Pedro Infante como "Pepe, el Toro", figura mítica da época de ouro do cinema mexicano, nos anos 50. Aprendi um pouco do "albur", linguagem plena de duplos sentidos normalmente ligados ao sexo, que desorientam qualquer recém-chegado, para gargalhada do pessoal. E aprendi expressões que só aqui se usam e que tornam o espanhol do México muito divertido, sobretudo pela entoação, que dá às palavras um ar entre o infantil e o burlesco. "Peda", "qué onda?", "pendejo", "wey", "está cabrón", "chamba", "chido", etc, etc, etc.

Vi também como se pode rir da morte, para a qual os mexicanos têm mil e um nomes. Os esqueletos e caveiras estão presentes em tudo - desde doces a jogos de carta, passando por roupas e brinquedos de criança. Oferecer uma caveira de chocolate, de açúcar ou de goma é sinal de apreço, e o dia dos mortos, em 2 Novembro, é acontecimento nacional. Pena que não tenha estado lá para ver.

Assim, ao sabor do que esta terra me ditava, reformulei os meus planos vezes e vezes sem conta. Apaixonei-me mais do que a prudência aconselha e vivi em torno disso. Conheci, entreguei-me, permiti-me e trouxe comigo histórias que me impulsionaram para outros patamares.

Há pouco mais de um mês regressei a Salvador da Bahía. Tinha que voltar, para buscar a maior parte das minhas coisas e fazer o trajecto de despedida. Dentro de umas semanas regresso ao México e a Querétaro. Última etapa de uma viagem na América Latina que se está a revelar uma verdadeira divisora de águas. Como queria que fosse.

México: De costa a costa

Viajei. Desde as praias de Mazatlán, no Pacífico, às de Yucatán e Quintana Roo, no Caribe. Cancun, Playa del Carmen, a fantástica e ainda quase virgem ilha de Holbox, onde nadei ao lado de tubarões-baleia.

Fiquei de boca aberta em Tulum, Chichen Itza, Palenque, Monte Albán e Tenochtitlán, ruínas pré-hispánicas de Maias, Zapotecas e Astecas. Monumentais construções no meio da selva, com uma vibração intensa. E o antagonismo. Hoje, os descendentes destas civilizações formidáveis parecem fantasmas. Marginalizados e estigmatizados socialmente, são como sombras a passar nas ruas. Caminham junto às paredes, nunca no centro, de cabeça baixa, como que pedindo permissão para passar na terra que mais do que ninguém, é deles por direito ancestral. Fotos de cartão postal, apresentados pelos seus como algo exótico. É triste.

Percorri cidades históricas. A fervilhante Mérida, a pituresca San Cristóbal de las Casas, a histórica Guanajuato, e a pacata Oaxaca, com a sua Guelaguetza, o mais importante festival de folclore mexicano, que tive a sorte de assistir. Chiapas, com seus caracóis zapatistas, onde se tenta ser fiel ao modo de vida e ideal revolucionário delineado pelo comandante Marcos. Toluca e Metepec, centro de artesanato onde moram os meus grandes amigos mexicanos do tempo de Santiago de Compostela. San Luis Potosí, já mais para norte, com os seus chocolates. Puerto Veracruz, porta marítima do México e cheia de histórias de escravos africanos, que recolhi, e estou a escrever para publicar em Angola.

A Cidade do México, que afinal não é tão confusa e tensa como pensava. Museu de Antropologia, Belas Artes, a Catedral, casa azul da Frida Khalo, o centro histórico e a principal atracção para mim, o metro. Na hora de ponta, sempre que as portas se abrem, as pessoas atiram-se literalmente para dentro das carruagens, num vale tudo em que só se sentem e vêem pés, cotovelos e braços numa amálgama bem apertada de corpos. Uma espécie de candongueiro sobre carris. “Se houvesse metro em Luanda seria assim”, pensei várias vezes.

E Querétaro. A minha querida Querétaro, a minha cidade bipolar. Lá, na calle Pasteur, quase no cruzamento com a Avenida Zaragoza, vivi dois meses, enquanto fiz um curso intensivo de espanhol. Lá cheguei totalmente esfrangalhado, fiz a minha travessia do deserto interior e me recompus.

Querétaro. Cidade no centro do país, a três horas do Distrito Federal (Cidade do México). Nobre, colonial, dita conservadora, com um centro histórico ocre, verde e pedra, muito bem preservado. A cidade dos arcos. Lá começou o movimento que arrancou a ferros a independência do México, há 200 anos. Lugar pacífico, muito seguro, senhorial e religioso. E com muita vida. Todos os dias, nas ruas centrais, actuações de teatro, circo, concertos, gente de um lado para o outro. Cidade que começa a viver a partir das 10 da manhã, algo que me custou a acostumar.

Querétaro da animação, com uma noite fantástica, comida do melhor, e o bar bem simpático de Mbimbi, congolês de Kassai, filho de angolana, e que já viveu nas Lundas. Ponto de encontro dos muito poucos emigrantes africanos a viver em Querétaro, o restaurante era animado por festas de kwassa-kwassa, zouk, kizomba, cabo-love e tarraxinhas. Era também o palco, todas as sextas-feiras, do projecto de Luis Enrique, um mexicano que dirige um grupo de percussionistas queretanos que arrancavam sons magníficos dos seus batuques. E com duas dançarinas de danças tribais que... sim senhora.

Querétaro. Mais um território sentimental a acrescentar à minha lista de lugares a voltar, sempre. Onde deixei amigos, e uma história que vou retomar daqui a um mês, quando regressar, antes de sair definitivamente da América.

"Paloma Negra", Lila Downs



A incrível Lila Downs cantando "Paloma Negra", uma das "rancheras" símbolo do México. Muitas memórias.

05 November 2010

México: Política, traidores e os States

Mexicano gosta de política. E fala dela em voz alta, principalmente no reduto familiar ou entre amigos. Esta forma de convívio, aliás, é também parecida com a nossa. A família tem um papel fundamental, e beber e comer à volta de uma mesa enquanto se discute o Deus e Diabo, a vida dos vizinhos ou as celebridades, é parte fundamental do cardápio.

Mais atrevidos que os angolanos, embora também com alguns cuidados, falam do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que esteve uns impressionantes 71 anos seguidos no poder (por isso se fala, por vezes, na mexicanização da política angolana). Discute-se a eleição fraudulenta de Felipe Calderón (teve que assumir a guerra contra o narcotráfico para se credibilizar junto de um eleitorado que o via como uma farsa, dizem alguns), ou da incrível e inédita aliança entre uma formação política super esquerda, o Partido de la Revolución Democrática (PRD), com uma de super direita, o Partido Acción Nacional (PAN, no poder). Ideologias antagónicas postas de parte, com o fim único de derrotar o PRI. Uns a favor, outros contra, todos gritando, animados, os seus argumentos enquanto rolam tacos de tudo e mais alguma coisa, pozoles (espécie de sopa) e sumos de fruta. Porque, atenção, e este é um pormenor que nos distingue, e muito, os mexicanos raramente bebem álcool durante a refeição (!!).

Fala-se também em traidores. Porque, opinião generalizada (no meu círculo de amigos, pelo menos), o mexicano sempre traiu o seu próprio país, edificando-o à lei da bala. A começar pelo mítico e odiado presidente Santa Anna, que no século XIX vendeu uma boa parte do território aos EUA; passando pelos diferentes governos corruptos, e terminando nos próprios narcotraficantes, mexicanos que espalham o terror no seu próprio país, traindo-o assim, mais uma vez.

E de política em política, chega-se também a um assunto inevitável: Estados Unidos da América. O vizinho do norte é amado e odiado, ao mesmo tempo. Se de lá vêm todos os males do México, na opinião de muitos, a começar pelo tal trauma nacional que é grande parte do território original mexicano fazer agora parte dos States, é também da "terra dos sonhos" que vêm grandes influências culturais e comportamentos. Ao ponto de haver uma cultura própria de mexicanos residentes nos EUA, os chamados "chicanos", que gerou movimentos musicais e literários com repercussões na "terra mãe".

Na verdade, a política mexicana em relação aos EUA faz-se de joelhos. Ou não estivesse a economia do México dependente dos “gringos” em mais de 80%. Enquanto isso, esses mesmos gringos constroem um muro ao longo da fronteira comum para conter a emigração ilegal e o trabalho dos “coiotes”, os intermediários que levam às escondidas os mexicanos até ao outro lado da linha a troco de muito kumbu.

Enquanto erguem muros da vergonha, os mesmos States ameaçam intervir em território mexicano caso o governo de Calderón não consiga pôr fim à matança entre narcotraficantes. Palavra de Hillary Clinton a denunciar uma hipocrisia desmedida da administração americana. É que o tráfico no México é quase totalmente direccionado para o mercado gringo. Na verdade, o que a senhora Clinton e seus conterrâneos deviam perceber é que o descalabro no México é efeito, não causa. Essa, está no seu país, nos jovens que querem viajar na maionese da liamba ("mota", na gíria mexicana) que vem do outro lado da fronteira. Que tal lutar contra isto antes de vir com ameaças irresponsáveis? Hipocrisia chapada.

Apesar destas makas e outras, como as mortes de emigrantes na fronteira norte, muito mexicano torce pela selecção norte-americana no Mundial, e orgulha-se desta relação de interdependência umbilical entre os países (boa parte dos produtos consumidos nos EUA são produzidos no México - mão de obra mais barata, claro está). No fundo, não é mais que uma grande ilusão, uma síndrome de inferioridade do tipo “se estou com os grandes, também sou grande”. Motivo de muitas discussões à volta de cervejas. Faz recordar aquelas fotografias entre um Zé-ninguém ultra sorridente abraçado a uma super estrela com cara de enfado, que só aceita tirar a foto porque é esse "zezinho" quem lhe alimenta a fama.

Mas é precisamente aí que reside a diferença. O México é tudo menos um Zé-ninguém. É um país com mil e uma riquezas, com uma cultura milenar, muito forte, capaz de fazer inveja aos gringos lá do norte, se eles tivessem sensibilidade para tal. Ofuscado pelo poderio dos EUA, este país reduz-se, minimiza-se, encolhe-se, ao mesmo tempo que esporadicamente se agarra à tradição e a um sentimento nacionalista, como o que este ano despertou com toda a força durante a comemoração dos 200 anos da independência e dos 100 anos do início da Revolução (Que independência? Que comemoramos? Independência de Espanha e dependência dos States? A morte por todos os lados?, perguntavam os velhos do Restelo).

Fiquei, no fundo, com a ideia que é um país um pouco perdido, inclusivamente culturalmente. Alterna constantemente entre a super-afirmação e a submissão em relação aos estrangeiros, que são sobrevalorizados, e principalmente ao modelo gringo, que muitos encaram como o ideal, o fashion, o civilizado. Ainda que não o admitam. Contradições que põem o país numa encruzilhada a ser desfeita, para que o México levante voo por si mesmo. Sem a sombra paternalista e oportunista dos norte-americanos.

Aqui, uma música ácida e divertida da grande Susana Zabaleta, sobre esta relação México/EUA. "Los Vecinos".

México: Narco e risadas

Houve os meses que foram passando. Percorri México de uma ponta à outra. Tirando o norte, onde o terrorismo do narcotráfico, as lutas entre clãs antes aliados, agora rivais, multiplicam os banhos de sangue. México sangrento nas manchetes dos jornais. Sangrias em bares e restaurantes, chacinas em festas, centros de desintoxicação e onde calhar. Mais de 28 mil mortos desde 2006, ano em que Felipe Calderón se tornou presidente. Gráfico aterrador em curva ascendente.

Há o medo, sim, embora todos os mexicanos saibam que quem não tem nada a ver com o assunto não é um alvo directo. A não ser que esteja no lugar errado à hora errada. À mesa, durante as refeições de família ou entre amigos, o assunto vem sempre à tona. Enumeram-se as estradas nacionais por onde já é perigoso passar durante a noite, relatam-se movimentos suspeitos de amigos ou vizinhos, contam-se histórias que excitam os noticiários, fala-se na guerra que o governo diz travar contra os narcotraficantes e nos resultados não muito animadores.

E todos dizem algo interessante, que atesta a dimensão do problema. O Governo, já ninguém tem receio de criticar, como há alguns anos. O poder político deixou de ser uma ameaça. O medo, agora, é de falar algo que enfureça os narcotraficantes, porque as represálias são, normalmente, fatais. Só este ano os narcos já mataram 11 jornalistas, segundo os Repórteres Sem Fronteiras. Dezenas de outros foram ameaçados. Tornei-me, inclusivamente, bastante amigo de uma repórter que teve que fugir com a sua filha da cidade onde vivia, para outra, depois de ter escrito um livro em que expunha ligações entre políticos e grupos de traficantes. O que antes era o bufo do governo tornou-se o bufo dos narcos. Por isso há receio em confiar na pessoa ao lado e em chamar a atenção de quem não se deve.

Ao mesmo tempo, há a deslocação interna de habitantes dos estados do norte do país, os mais perigosos, para lugares mais tranquilos no centro e sul do país. Embora segurança seja cada vez mais relativa. Há poucas semanas, até a Cidade do México, onde nunca tinha acontecido nenhum acto violento relacionado com o narco, foi palco de uma matança de seis pessoas. Ciudad Juárez, na fronteira com os EUA, e considerada a mais perigosa do México (o número de assassinatos em relação ao número de habitantes é maior do que em Mogadíscio, na Somália), diz adeus todos os dias a dezenas de habitantes.

Um quadro negativo e negro? Sim, sem dúvida. Mas não extremo. O mexicano, à semelhança do angolano, tem uma capacidade incrível de burlar-se das suas desgraças. Barreira eficaz contra o pânico colectivo. Entre a descrição de episódios macabros, vem sempre a piada, a risada estridente, um coro de vozes e confusão tão típicos da Banda, também. Mexicano ri-se de si mesmo. E essa é a sua principal arma contra a paranóia e a dificuldade.