27 July 2009

Eugénio Mateus

"Esta matéria atingiu, em termos de dimensão, as Forças Armadas e foi publicada internacionalmente. Eis a razão que nos levou a realizar este acto, para que sirva de exemplo aos demais órgãos, jornalistas, no sentido de tratarem as matérias com veracidade e responsabilidade"- General Furtado à Capital (25 Julho 2009)

Não estou neste momento na Banda, e apenas me chegam os ecos da condenação do jornalista Eugénio Mateus (já agora, obrigado ao Reginaldo por disponibilizar esta citação no seu morro). Mas não consigo deixar de me surpreender com esta reprimenda ao estilo de escola primária que o general Furtado faz a toda a classe jornalística angolana - como se todos fossemos umas criancinhas birrentas que batemos o pé, atiramo-nos para o chão e partimos a melhor jarra de flores da mamã só para a chatear e a fazer sentir que temos poder.

Pois bem, lamento imenso, mas não me revejo, nem a mim, nem a muitos dos meus colegas, nessa pintura. E mais: Fico muito preocupado que esse rótulo nos seja aplicado à partida por altos responsáveis deste país, que nos pintam perante a opinião pública como um bando de miúdos petulantes a necessitar de reprimendas, sempre que fugimos da linha e dos limites traçados por quem supostamente detém a razão suprema. Se isto não é pressão, por favor, digam-me o que é. Ofereço uma birra (não dessas birras de puto, mas uma cerveja a estalar) à melhor resposta.

Não acompanhei o julgamento in loco, reafirmo, mas sei - por conversas com quem o viveu de perto e pela comunicação social, privada, claro está - que há muitas queixas sobre irregularidades no processo, e um coro de críticas aos argumentos que levaram à condenação do nosso colega. Buracos negros que deram origem ao recurso que o advogado de defesa, David Mendes, se prepara para interpôr.

São, assim, pontas soltas de um novelo que se vem enrodilhando há muito tempo com pressões judiciais sobre jornalistas angolanos e que, tendo em conta a reprimenda do nosso mais novel professor, e as agulhas muitas vezes desafinadas da nossa justiça, me fazem olhar para esta condenação de Eugénio Mateus (a quem mando um abraço a título pessoal) com muita desconfiança. Essa desconfiança de quem, como muitos de nós, não se sente protegido pelo sistema de justiça do nosso país.

Mas numa coisa estou de acordo com o general Furtado: Exige-se veracidade e responsabilidade, sim senhor. Mas de todos!

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